quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Branco

Agruras, tormentos e tribulações, crivados nos rostos entorpecidos pelo frio inclemente, vividamente congelados para sempre nos olhares dolorosos que se curvam sob o jugo sombrio da alva imensidão, espelhos de ilusões perdidas, faróis cuja luz serena é trémula mas não fátua. Algozes digeridos, plenamente assimilados pelo Belo envolvente que se perde de vista, Mãe solitária que castiga os corpos, mas que conserva a frescura das almas.
Nessa estrada, o tempo passa e deixa pegadas; os seus idos plasmam-se no espectro da paisagem gelada, num legado testemunhado por Aquelas Que Morrem Sempre de Pé. Para que o velho Homem, contemplando-as, se reveja a si mesmo, conforme foi e deveria vir a ser. Branco, nevado, purificado.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sempre com o dom da palavra, Miguelinho :). E, neste texto, com a veia poética a "vir ao de cima" :D. Keep on writing!
Beijiiiiinho!
Mara

Lady Candlelight disse...

Tenho saudades de falar contigo! :(

Bjinhus