Nas altas esferas, distinguem-se dois tipos de oratória: de um lado, o politicamente correcto, estereotipado, enfadonho, qual mulher-a-dias das castas instaladas cuja única tarefa é polir o verbo; do outro, a logorreia expansiva e incontida do finório que dispara em todas as direcções, exaltado e delirante.
Haverá outra alternativa?
Talvez não. É que quando uma terceira espécie de discurso aparece, ousando pôr o dedo na ferida sem lenitivos nem peçonha, é logo qualificado de populismo - e como tal rejeitado por não ser conforme à poeira eufemística.
Irónico - é que, se populismo se pode definir como simpatia pelo povo ou prossecução de políticas que lhe agradem, a conotação negativa da palavra é uma machadada na própria base do regime democrático. No fundo, sugerindo que, na hora de decidir, o povo não manda nada.
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